sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Tema Polêmico


Estive pensando muito nestes dias que o 'governo' deveria criar a Quarta idade... com dignas condições de saúde sobretudo... visto que adotou um certo zelo com a Terceira há algum tempo e os 'velhinhos' nos estão dando um show de sabedoria e vida...


Primeiro Carnaval meu... super sadio com o bloco da Melhor Idade...
(Uma da Terceira e a outras da 'Quarta'...)

Não me sinto na Terceira idade e vejo que todas as minhas amigas não o sentem também...
O que fazer?

Gosto de tudo da Melhor Idade (que lhe é atribuído) há mais de 5 anos (antecipei minha Melhor Idade porque, sinceramente, cansei de ver gente da minha idade querer partir para cima de gente mais jovem e serem infelizes - se ainda fosse para ser e fazer feliz, tudo bem)... e frequentei, a partir daí, grupos de veteranos por achar interessantes várias coisas (excluo namoricos bobos, sem pé nem cabeça; creio que, em nossa idade, a profundidade em nossos atos  deveria ser uma marca de expressão pessoal)... 






 Conservatória- RJ ... Festivais de Corais...

 Tempo maior para oração, meditação, contemplação, adoração ao Santíssimo...

 Tempo livre para dedicação às Artes de um modo em geral... música (teclado), pintura em tela acrílica...

 Voltamos a ser criança... é verdade!!!

Desde os meus 55 frequento grupos da Melhor Idade... grupo do Coral... viajando pra São Lourenço- MG, via Passa Quatro-MG...

 Viajando na melhor das idades... Holambra- SP...

Confraternização de Natal do Coral...



Experiência do primeiro Cruzeiro: Santos- Ilha Bela - SP...


3 sessentões numa festa de professores pelo nosso dia na Casa do Professor em Niterói- RJ...

Entretanto, o crochê, tricô, cadeira de balanço, viajar em grupos... retiros... hidroginástica... alongamentos... pilates... caminhadas ecológicas ou não... dançar... cantar no coral... blogar... escrever... poetar... fazem parte do meu mundo de idosa que já sou...
Mas não sou ainda uma 'velhinha caindo aos pedaços' como outrora minhas avós com a mesma idade... cansadas, coitadas... com 12 filhos 'nas costas' e sem tempo do resguardo, ao menos...



 Passeando por Jericoacora... CE


Na linha de cima, a foto do meio,  do Hotel em Fortaleza onde ficamos hospedadas: Praia do Meireles

Por ar, terra e mar... sempre viajando e distraindo a mente... alegria da missão cumprida e desbravando outros horizontes...



Cruzeiro para  Ibatuba- SP - Passando por Ilha Bela (SP), Búzios (RJ)


 Rumo ao Pantanal... MGS...
 Barra Bonita -SP...
Campo Grande (MGS)
Leia-se Comrumbá (MGS) no lugar de Ibatuba (SP)...

P.S. Aprendendo a fazer montagens com fotos... Chica e Silvana me ensinam, com calma...


O motivo deste post é participar da iniciativa da amiga Sil... do blog:


Olhei o site abaixo como um dos mais discutidos assuntos da semana passada...

http://www.valedocai.com.br/noticia/4616/encontro-reuniu-idosos-na-semana-passada/

Achei curioso o assunto que já me havia tocado o coração e é motivo de questionamento...
Por vias das dúvidas, ando com a carteira de identidade para ficar em certas filas bem menores (se bem que a dos idosos estão sempre maiores em alguns lugares... Por que será? rs)...
Ofereço uma oração para fazermos pelos 'idosos'... creio que os acima de 80 agora, de uma forma toda especial...

Para meditar:

O que aconteceu com a 'fina flor da idade', os  acima de 60?

Bem-aventurados
aqueles que compreendem os meus passos vacilantes
e as minhas mãos trêmulas.
Bem-aventurados
os que levam em conta que meus ouvidos
captam as palavras com dificuldade,
por isso procuram falar-me mais alto e pausadamente.
Bem-aventurados
os que percebem que meus olhos já estão nublados
e as minhas reações são lentas.
Bem-aventurados
os que desviam o olhar, simulando não ter visto o café
que, por vezes, derramo sobre a mesa.
Bem-aventurados os que sorriem e conversam comigo.
Bem-aventurados 
os que nunca me dizem: 
"Você já me contou isso tantas vezes!"
Bem-aventurados 
os que me ajudam, com carinho, 
a atravessar a rua.
Bem-aventurados 
os que me fazem sentir que sou amado 
e não estou abandonado, tratando-me com respeito.
Bem-aventurados 
os que compreendem quanto me custa encontrar forças
para aguentar minha cruz.
Bem-aventurados 
os que me amenizam
os últimos anos sobre a Terra.
Bem-aventurados
todos aqueles que me dedicam afeto e carinho
fazendo-me, assim, pensar em Deus.
Quando entrar na Eternidade, lembrar-me-ei deles,
junto ao Senhor!


Amém!

domingo, 31 de agosto de 2014

Servir nas fronteiras

SERVIR NAS FRONTEIRAS: a experiência de S. Inácio


Em todo momento histórico, quando a Igreja e a sociedade são sacudidas por grandes mudanças, surgem homens e mulheres que rompem com esquemas e seguranças envelhecidos e se deixam conduzir pelo Espírito ao deserto, às margens, às fronteiras... fugindo de um ambiente e de uma ordem asfixiantes.
A fronteira, para eles, passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo” por obra do Espírito.
Ali aparece o broto germinal do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida. Ali descobrem-se traços nunca antes vistos da pessoa de Jesus, ao olhá-lo agora a partir de uma situação inédita.
Uma vez descoberta a fronteira, situar-se nela passa a significar colaboração respeitosa com o Deus presente e ativo em toda situação humana. Isso vai gerar uma maneira nova de viver, um estilo de vida, um compromisso diferente, uma ação carregada de ousadia...

Foi num contexto assim que surgiu a figura de S. Inácio, o “peregrino” que ia buscando a pé e coxeando pelos caminhos da Europa, o futuro que Deus lhe oferecia. Este caminho não o conduzia somente à fronteira, mas ao futuro, ou seja, não se tratava somente de romper com a ordem presente, mas de distanciar-se dela para experimentar a novidade de Deus no meio deste mundo.
A experiência de Inácio começa em Loyola (1522), num momento histórico caracterizado, de um lado, pelo desmoronamento de fronteiras seculares (grandes descobrimentos) e, de outro, pelo surgimento de novas fronteiras ideológicas, políticas, religiosas... Inácio chega a Loyola, ferido e humilhado por defender fronteiras políticas, mas ambicioso por continuar conquistando outras.
Diante da leitura de “Vita Christi” desmoronou-se sua própria fronteira pessoal, aquela dos “grandes e vãos desejos de ganhar honra” (Aut. 1), que, de repente se vê rompida e invadida por Deus.
Tudo começa a ser percebido como novo: “...lhe pareciam novas todas as coisas” (Aut. 30).

A partir de agora as velhas fronteiras geográficas e políticas pelas quais Inácio lutou apaixonadamente, serão substituídas por outras, aquelas do coração humano.
A conversão, para ele, passa a significar experiência de fronteira: rendição de uma fortaleza, troca de
bandeira e de senhor no próprio coração; desalojamento dos falsos senhores de seu interior
e oferecimento de sua pessoa ao “Senhor”, que se dá no seguimento, ou seja, vontade de
situar-se com Ele nos “extremos” humanos.

Quando S. Inácio vivia movido “por um grande e vão desejo de ganhar honra”, foi criador de fronteira.
A partir do momento em que Deus invade as suas fronteiras e ele se descobre encastelado, seus olhos se abrem para contemplar “toda a grande extensão e a curvatura da terra cheia de homens” (EE. 103) fecha-dos em infinidades de estreitas fronteiras (escravidões, necessidades, mortes...). A partir desse momento, brotam em seu interior “vivos desejos de ajudar o próximo”, isto é, de eliminar suas fronteiras.
Contemplar o olhar de Deus sobre a terra cheia de homens – isolados, entrincheirados sobre
si mesmos nos minifúndios de seus egoísmos – é para Inácio experiência definitiva.
A partir de então, situar-se nas fronteiras da humanidade e buscar a comunhão universal será sua nova visão, seu lugar teológico, sua nova missão...
“Ajudar as almas” passa a significar, desde então, descer com Deus às fronteiras que a humanidade levanta frente a si mesma e frente a Deus: fronteiras de morte, divisão, ódio...

Na realidade, da experiência de Inácio não brota diretamente uma estratégia de fronteiras, mas um homem internamente reconstruído, com vontade de situar-se ali onde algo limita, empobrece, degrada... ou simplesmente comporta alguma carência na condição própria do ser humano.
“Servir nas fronteiras” se traduzirá numa necessidade interior de contemplar o ser humano em
seus “extremos” e de se comprometer com ele, para abrí-lo à vida.
A História, em sua densidade divina, será lida como “chamado” e será respondida na dispo-nibilidade pessoal para o encontro, a presença e a entrega.

Além disso, o que brotou da própria experiência de Inácio foi a preocupação pessoal por formar pessoas capazes de mover-se por “vivos desejos da salvação do próximo” e, por isso, de arriscar-se nas múltiplas e variadas situações humanas de fronteiras. A importância que Inácio dá ao “desejo”, que alarga o ser humano para além de si mesmo, tem também aqui seu lugar. Descobrir os melhores desejos na pessoa, apoiá-los, alimentá-los, ajudá-los a crescer... é a melhor forma de libertá-la de suas limitadas fronteiras.