Todos temos uma Missão
Renata tinha um cuidado extremo de não melindrar o coração das pessoas.
Esse seu jeito fraterno de ser lhe dava um apelido de "docinho de coco" pelo seu netinho caçula.
Que Missão bonita a de se tornar mãe e depois avó!
Seus filhos estavam crescidos e ela havia ficado só. Sim porque ela dava o direito dos seus queridos viverem as suas próprias vidas.
Ainda lhe restava, há pouco tempo, um último semi dependente dela e ela, decidida a romper com o cordão umbilical, se tornou independente para deixá-los livres para construírem o seu mundo na paz e na alegria sem que ela fosse um peso para eles.
Alugou um quarto num pensionato de religiosas e foi lá viver só e se perdia, diariamente, em suas recordações...
Sempre fitava muitas fotos que colecionava desde jovem quando começou a trabalhar.
O curioso é que ela era muito nova em fisionomia para Ter tanto em valores cultivados, com lágrimas e desafios superados e era desapegada a ponto de nada ter a não ser o seu amor retido em prontidão perene para os seus amados. Ah! isso não lhe faltava jamais! Seu coração jorrava amor.
O seu papel nesse mundo ela o havia diligentemente aceito.
Ora por outra, lá ela estava, novamente, a se perder em recordações do tempo vivido junto aos seus e que enchiam plenamente o seu coração terno e dedicado de mãe e avó.
Sendo assim, fitava as suas fotos com a dor da saudade mas com a alegria da Missão cumprida. Num misto de sentimentos diversos que só lhe cabiam e que mesclavam aos seus dias contristando o seu coração algumas vezes mas deixando-na com a consciência reta mesmo diante de algumas acusações que lhe feriam à sua alma sofrida.
Quem a conhecia, mais profundamente, via nela a imagem da solidão perene e não entendia porque ela sempre tinha um sorriso aberto e delicado mesmo quando percebiam que ela nada mais tinha... mobília... exageros... supérfluos... Que nada!
Só muito amor no coração e solidão d'alma...