segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Memórias de uma Missionária




Quando Rafaela entrou para o Cenáculo (11 anos antes de mim, se não me engano), eu não pensava em vida religiosa, isto é, em ser freira.
Só bastante tempo depois é que comecei a ouvir o que nós denominamos o “chamado”. Pois é Deus quem chama. Não chama “tocando uma campainha no meu ouvido”, como me disse um sacerdote, a quem consultei quando estava ainda em dúvida se entrava ou não entrava. É algo que não se define bem, não se pode traduzir em palavras, mas que vai acontecendo no coração e na mente, e vai amadurecendo, até que a gente começa a ter certeza de que é isto mesmo que a gente quer, ou que Deus quer da gente.
“Como refletiu na família” é que é um ponto delicado. Papai ficou felicíssimo, considerava uma grande honra para ele, ter dado uma filha para Deus, e agora uma segunda. Era demais! E isto, apesar de saber que iria duplicar o sofrimento dele, pois a Mamãe era inteiramente contra, e, desde que a Rafaela entrou, ficou “de mal” com ele e criou dentro de casa um ambiente muito triste, quase fúnebre. E justamente por causa dessa situação, Mirela e Regiane também ficaram meio chocadas. A coisa ia piorar também para elas…  Uma vez, diante de um bolo, ou uma sobremesa gostosa ou um suco, não me lembro mais o que era, Mirela me disse assim: “Você pensa que vai ter essas coisas lá?” Regiane, que já tinha os 6 filhos e não morava naquela casa, não se manifestou. Quanto aos irmãos, acho que só souberam depois que entrei. É claro que com tudo isto eu sofria também, mas a minha decisão estava tomada, e eu pedia a Deus que tomasse conta de tudo e de todos.
É verdade, que, para a Mamãe mudar de atitude, levou muito tempo. Penso que ela só mudou quando Papai teve uma trombose cardíaca e ela se assustou. Pois, na verdade, ela o amava, embora parecesse que só ele é que amava. Interessante, o amor da Mamãe só aparecia, isto é, só se manifestava exteriormente fazendo pratos que cada um gostava, ou se preocupando com a  saúde de cada um, e coisas desse gênero,  tanto dos filhos como do Papai.
Papai me visitava sem dizer aonde ia. E o mesmo faziam os irmãos e as irmãs.    Logo que entrei escrevi para ela, mas Papai disse que ela não abriu. E foi depois da trombose dele que ela falou comigo no telefone pela 1ª vez; fiquei muito comovida: Mariete ligou perguntando se eu queria falar com a Mamãe e fiquei muito surpresa. Conversamos, ela meio chorosa e eu me fazendo de forte. Mas ela nunca foi a Petrópolis. Eu só a vi e a abracei quando fui ao Rio, por ocasião da morte do Nilson e da do Papai. Bem, penso que já satisfiz a curiosidade de vocês. Basta?
Quanto à nossa vida, é muito simples: oração e trabalho.

No trabalho, está incluído o estudo, fora os serviços domésticos, os trabalhos para a manutenção, isto é, coisas que se possa vender, que rendam de algum modo, por exemplo, traduções, tecelagem (ganhamos um tear), confecção de terços, pintura de ícones, bordados, bricelets, pães, bombons… … Convém dizer que se fôssemos viver da venda dos nossos produtos morreríamos de fome.  No entanto, não só não morremos de fome,
mas temos o necessário e o supérfluo (gulodices, refrigerantes…), graças à generosidade dos parentes e amigos e mesmo benfeitores desconhecidos.
E a oração se repete 7 vezes ao dia, nas Horas Litúrgicas, que fazemos em comunidade (na igreja),  além da oração individual, isto é, solitária e silenciosa (a qual se é livre de fazer na igreja, na cela, no  jardim, no bosque, no pomar…).
Só resta dizer que somos felizes, muito felizes hoje, como no dia em que entramos.! O que não significa que não se tenha tribulações, como todo mundo tem, mas   nesses momentos somos sustentadas, amparadas, protegidas, abraçadas por Aquele que morreu na Cruz e Ressuscitou, e que é o nosso Esposo, JESUS!


12 comentários:

  1. Amei conhecer um pouco de você, obrigada Roselia.
    Vocês trabalham com mulheres em situação de risco?
    Agradeço, abraços carinhosos
    Maria Teresa

    ResponderExcluir
  2. Minha querida amiga arrepiei-me todo pois parece que estava a ver a vida da minha querida mãe ,pois como você esteve 8 anos num convento a servir a Deus ,uma história muito linda ,fiquei muito feliz por conhecer um pouco mais de você querida amiga ,e certamente com tantas coisas em comum .
    Querida amiga nem a propósito tenho um amigo Padre Jorge Amaro e também é missionário da Consolata que escreveu na sua última postagem Vocações goradas ,o seu blog chama-se Missão Itinerante , um ser humano fantástico ,cheio de sabedoria que escreve divinamente ,se poder visite com certeza irá gostar ,agora deixo-lhe aqui a sua última postagem ,que Deus ilumine sempre a nossa vida ,depois me diga se gostou ,beijinhos .

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Roselia.
    A minha intenção ao entrar aqui era ser rápida, devido ao dia longo que terei pela frente, mas ao começar a ler a sua postagem, me sentir sem nem palavras para lhe dizer, fiquei emocionada, foi um tremendo testemunho, vocês passaram por tanta coisa bem dificil para seguir o chamado, muito lindo amiga, amei ler a sua historia, que Deus esteja com vocês e sua família os dando sempre muita alegria. Uma linda semana. Forte abraço.

    ResponderExcluir
  4. que bom ler essa história! Que bom que sua mãe aceitou/entendeu mesmo que pela dor como se diz!!

    beijão e obrigada pelo carinho lá no blog!

    ResponderExcluir
  5. Boa noite querida Roselia!


    Quantas emoções você tem para nos passar, amiga. Creio que viver para Deus, requer muitas renúncias em relação aos familiares.
    Eu passei um tempo como coordenadora da Curia na Legião de Maria, e senti o quanto precisava trabalhar pela evangelização. Graças a Deus meu esposo compreendia bem e hoje está legionário...mas em casa, alguém pedia socorro pois estava sofrendo com depressão e eu não conseguia parar para cuidar do meu familiar.
    Hoje sei que a catequese inicia-se em casa.
    Fique com Deus e Maria Santíssima.

    ResponderExcluir
  6. Passando para desejar uma semana ricamente feliz.Bjssssss

    ResponderExcluir
  7. Que em 2016 Deus continue te abençoando
    cada vez mais ,para deixar seus espaços com
    mais amor e fé
    Desejo boas festas gratidaõ sempre

    Rita

    ResponderExcluir
  8. Amiga que seja sempre uma bela e boa missão! Bj

    ResponderExcluir
  9. QUE BELA MISSÃO,QUERIDA AMIGA ROSELIA.

    AMO SEU BLOG!

    BEIJOS SABOR CARINHO E UM DOMINGO DE PAZ PROFUNDA

    DONETZKA

    ResponderExcluir
  10. Nossa Rosélia
    Que barra! Já a minha mãe queria que eu fosse freira, então lhe disse. Por que a senhora não foi, cada um é o que quer ser e não mandar na vida do outro.
    Acho que já nasci independente.
    Sua vida foi e é maravilhosa com Deus
    Esqueci de fechar os comentário, já fechei, pois não darei conta de dois blog, pois estou doente.
    Beijos no coração
    Lua Singular

    ResponderExcluir
  11. Olá Roselia...Passando para deixar uma braço fraterno e o meu desejo de uma semana abençoada com sua linda família.
    Beijos

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu ardor missionário.